Era um torcedor fanático. Em jogos importantes do Cruzeiro, pintava toda a casa de azul e todos os objetos eram trocados por outros objetos da mesma cor, compartilhando esta cor somente com o branco aqui e ali. E quando o clube do coração sofria um gol, roia as unhas, chorava, tremia, fazia promessa. Chegou a roer todas as unhas das mãos. Quando devorou todo o dedo mindinho, a mulher e os filhos decidiram pedir ajuda. Não adiantou nada, continuou fanático, com a diferença de que depois de extinto o dedo mindinho usava agora luvas de metal, leves, porém de metal mesmo, como aquelas usadas pelos açougueiros, como, por exemplo, a do Gilmar que trabalha naquele supermercado que pertenceu à cooperativa.
Numa dessas sessões esportivas, o Cruzeiro acabava de levar o terceiro gol da seleção do México quando o inevitável aconteceu. (1)
Uma multidão se reuniu em volta de um corpo estendido no chão. Um torcedor revestido de azul e branco, com estranhas luvas de metal na mão despencara da arquibancada, despencaria até o último degrau se não fosse pelos demais torcedores à sua frente.
As crianças chorando, a mulher desesperada, seu marido de tanto viver pelo time acabara morrendo por ele.Alguns homens tentavam levantá-lo, foi quando... (2)
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(1) Gilson Neves
(2) Maria Clara Costa Novaes / 1º Ano
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