sábado, 8 de março de 2008

CONTO 5 – AS PRIMEIRAS ÁGUAS


AS PRIMEIRAS ÁGUAS

Namorar eu não namorava ainda não, mas já conhecia aquela espécie de sentimento de perda no coração, aquelas batidas súbitas no telhado da minha consciência, sozinha, no escuro, já conhecia inclusive suas pegadas no meu sono. E ele, embora sem distinção nenhuma que lhe desse jeito, tinha um nome que começava com uma sílaba que era a baunilha do dropes a manchar a minha língua nos recreios ensolarados da escola, mancha forte, saborosa, sobrando pro dia inteiro. Mas não namorava ainda, só adivinhava. Até que num domingo, a chuva mandou seu recado. Então anotei na agenda. Escrevi com calma. E me preparei para a segunda-feira que vinha de trem, embalada, na minha direção. (1)

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(1) Gilson Neves

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